O que mais se ouve em Brasília, esta semana, é que o Dnocs faz parte da cota do PMDB e que a presidente Dilma não tem direito nem coragem de substituir sua diretoria. Mais ainda: que o ministério das Cidades pertence ao PP e Mário Negromonte não pode ser demitido, ainda que seu chefe de gabinete tenha sido afastado por “falta de motivação” para o exercício do cargo.
Trava-se a mesma luta entre os partidos e o palácio do Planalto em torno da Funasa, dos ministérios da Integração Nacional e do Desenvolvimento Industrial e quase toda a estrutura governamental loteada pelos aliados desde o governo Lula. Enquanto isso, são desencontradas as informações.
Na sede do governo, assessores anunciam que a presidente Dilma mandou passar o rodo numa série de feudos partidários onde irregularidades vem sendo detectadas e até comprovadas. No Congresso, líderes desafiam o Executivo, em chantagem explícita, ameaçando votar contra projetos e interesses oficiais caso seus representantes sejam demitidos.
Estranha foi a informação de ontem: só quando retornar de Cuba e do Haiti, dia 2 de fevereiro, a presidente tratará da questão. No meio das escaramuças encontra-se o vice-presidente Michel Temer, a partir de hoje no exercício da presidência, lutando pela preservação dos espaços conquistados na administração federal.
Nem pensa em ajudar Dilma, afastando ele mesmo as desgastadas figuras sob fogo batido das denúncias. Entre a República e o PMDB, já se definiu pelo partido. O caso do Dnocs acaba de levar o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves, ao paroxismo. Lembrou que com 80 deputados e 20 senadores, seu partido está blindado contra a demissão de seus indicados.
Faz como questão de honra a permanência do diretor-geral do Dnocs, Elias Fernandes, seu apadrinhado. Acha que o governo não vai brigar por tão pouco. Afinal, o PMDB sustentou os ministros Fernando Pimentel, Fernando Bezerra e Paulo Bernardo, quando vitimas de acusações variadas.
Encontra-se a presidente numa daquelas situações definitivas. Ou aceita as pressões, deixando óbvia sua situação de prisioneira das quadrilhas partidárias ou dá um murro na mesa, demonstrando ser ela quem manda. Até porque, Havana e Port-Au-Prince estão ligadas com Brasília, pelo telefone…
Em 23 de janeiro, o Blog do Noblat reproduziu o texto publicado neste espaço com o título “O silêncio das caixas-pretas é tão revelador quanto a mais minuciosa das confissões”. Nesta quinta-feira, o mesmo blog divulgou, com o título “O ministro Gilberto Carvalho esclarece”, a nota abaixo transcrita em itálico. Volto em seguida:
“O Jornal da Band veiculou, no dia 17/01, matéria com acusação do irmão do ex-prefeito Celso Daniel em relação ao ministro Gilberto Carvalho. No final da matéria, a apresentadora do Jornal da Band afirmou: “Todos os personagens citados nesta reportagem foram ouvidos pela Band, mas não responderam aos pedidos de entrevista”.
Essa afirmação era falsa, pois o ministro Gilberto Carvalho – que se encontrava em viagem de férias – não tinha sido procurado pelo Jornal da Band. Para consertar seu erro, o Jornal da Band enviou solicitação de entrevista no dia seguinte, respondida com o email abaixo.
Como a matéria do Jornal da Band deu origem a uma nota no Blog do Augusto Nunes sobre o suposto silêncio do ministro em relação ao assunto, solicito que seja esclarecido aos seus leitores que o ministro Gilberto Carvalho já afirmou exaustivamente que as acusações dos irmão de Celso Daniel não são verdadeiras.
Cabe acrescentar que Augusto Nunes também não procurou o ministro antes de analisar e tirar conclusões equivocadas sobre um silêncio que só existiu por conta do erro do Jornal da Band.
Sérgio Alli, Assessoria de Comunicação da Secretaria-Geral da Presidência da República”
Acabei de enviar ao signatário da mensagem o seguinte email:
Prezado Sérgio Alli:
Tendo em vista seu email publicado no Blog do Noblat, peço-lhe que faça chegar ao ministro Gilberto Carvalho meu interesse em entrevistá-lo para o site de VEJA sobre o caso Celso Daniel. Ele poderá escolher a data, o horário e o local da entrevista, que terá a duração mínima de 30 minutos. O tempo máximo será fixado pelo entrevistado.
Comprometo-me a divulgar a íntegra da gravação, sem cortes, sem nenhum tipo de edição, sem textos introdutórios e sem comentários adicionais. O vídeo se limitará a registrar perguntas e respostas. Espero que o ministro não se negue a contribuir para esclarecer dúvidas que continuam a intrigar milhões de brasileiros. Agradecimentos antecipados. Augusto Nunes. (Blog do Augusto Nunes)
A respeito dos juros de 400% ao ano, cobrados nos cartões de crédito pelos bancos privados e estatais aos brasileiros, onde estão os que governam o País que não ouvem a voz do povo? Estão como no passado: nos palácios, cuidando dos seus interesses. E o povo, continua como sempre sendo assaltado todo dia pelos banqueiros inescrupulosos. Essa história quem não conhece?
Lembremos então do cobrador de impostos, Zaqueu, citado na Bíblia Sagrada. Ele vivia em função do Estado e para ele. Por isso tinha a proteção para agir e fazer o que fazia com o povo, mesmo que o povo o odiasse de morte.
Hoje os bancos cobram taxas de cartão de crédito de 13,80% ao mês, chegando a 400% ao ano. Mas o povo pobre não tem como se defender e o governo, que poderia fazer alguma coisa em prol dessa gente, não faz nada. Pior do que isso é saber que os banqueiros usam o próprio dinheiro do trabalhador que está na poupança com juros de 0,80% ao mês. Como mudar essa realidade? Apelando para o governo? Não. Ele não fará nada para mudar essa situação.
Voltemos para a história do cobrador de impostos. Certo dia o Senhor Jesus o encontrou e disse que iria almoçar em sua casa. A multidão não entendia porque Jesus escolheu almoçar na casa de um ladrão. O que a multidão não sabia é que o ladrão iria ser transformado naquele dia. Essa transformação só foi possível porque Zaqueu sentiu a necessidade de conhecer a Jesus. Assim acontecerá com os ladrões desse nosso País. Pois o dinheiro não pode mudar a natureza humana, mas escravizá-la.
Essa é a razão de termos tanta gente passando fome, morrendo por falta de leitos e remédios nos hospitais públicos. Porque o escravo não se governa, porém é governado pelo seu senhor, o dinheiro. Esses homens fazem tudo por ele: matam, roubam, vendem, corrompem… E no final serão destruídos sem nada. Pois nus vieram ao mundo e nus voltarão. O que poderiam levar como resultado por terem sido escolhidos para estarem aqui, seria o seu caráter. Mas já não os têm, venderam por nada. Mas antes não tivessem nascido.
É uma encrenca. Tenho visto muita gente de esquerda opinar sobre Cuba após uma viagem àquele país. Há os que, afetados por esclerose múltipla, de etiologia marxista, não entendem o que vêem e proclamam que voltaram do paraíso. Outro tipo segue a linha daquela senhora que entrou em mutismo até desabafar, sob pressão dos familiares: "Tá bom.
Aquilo é uma droga, mas não posso ficar dizendo, tá?". Tá, senhora, eu a entendo, apesar de, pessoalmente, não considerar aquilo uma droga. Droga é o regime. O povo cubano, submetido ao arbítrio e aos humores de uma ditadura que já leva mais de meio século, é um povo desesperançado. E há opiniões ainda mais notáveis, que se proporcionam quando o esquerdista que vai a Cuba é uma liderança política. Instado a opinar sobre o que viu, a celebridade tem que responder ao repórter. Se fizer críticas ao regime estará, perante os companheiros, incorrendo em grave sacrilégio.
Apontar mazelas cubanas é o equivalente ideológico de cuspir na cruz e chutar a santa. Coisa que não se faz mesmo. Durante meio século, a esquerda desenvolveu toda uma mística em torno da Revolução Cubana, dos "elevados valores morais" do bandido Che Guevara e das qualidades de estadista que ornam com fulgurantes e imperceptíveis realizações a figura mitológica de Fidel Castro. Se o sujeito retornar de Cuba descrevendo o que necessariamente passou diante de seus olhos cairá na mais negra e sombria orfandade política. É uma encrenca.
Por outro lado, se não disser que há um regime totalitário instalado no país, que só existe um partido político, que não há liberdade de opinião, que os meios de comunicação são órgãos do governo ou do partido comunista, que há um rigoroso controle da sociedade e da vida privada pelo Estado e que persistem as prisões políticas, o sujeito se desqualifica como democrata perante as pessoas de bom senso porque esses fatos são irrecusáveis. É uma encrenca. Pois foi nessa encrenca que se meteu o governador Tarso Genro quando decidiu passar uns dias de férias na ilha dos irmãos Castro. As perguntas lhe vieram, em primeira mão, do portal Carta Maior, órgão quase oficial dos companheiros do governador. O inteiro teor da entrevista pode ser lido em www.cartamaior.com.br ou, em short link, aqui: http://bit.ly/yPek9J.
Como fez o governador para sair dessa? Atacou o suposto bloqueio norte-americano à Ilha, claro. No entanto, até os guindastes do Porto de Mariel (onde o BNDES está financiando um investimento de US$ 600 milhões) sabem que não existe bloqueio a Cuba.
Bloqueio seria uma operação militar impedindo a entrada e saída de navios. O que existe é um embargo pelo qual os Estados Unidos pretenderam restringir as operações comerciais com a Ilha. No entanto, esse embargo está totalmente desacreditado há muito tempo. Os principais importadores de produtos cubanos são, pela ordem, Venezuela, China, Espanha, Brasil e Canadá. E os principais exportadores para Cuba, são, também pela ordem, Venezuela, China, Espanha, Canadá e Estados Unidos (é sim, 4,1% das importações cubanas são de bens de consumo made in USA). E não me consta que qualquer desses países mencionados, Brasil entre eles, sofra restrição comercial por parte dos Estados Unidos. Aliás, China e Venezuela destinam aos ianques respectivamente 18% e 38% de suas exportações e neles buscam respectivamente 7% e 27% de suas compras. Que terrível bloqueio americano é esse? Por outro lado, Cuba importa US$ 11 bilhões e exporta apenas US$ 4 bilhões.
Não é por causa do embargo que as exportações cubanas são insignificantes. É porque - isto sim! - sua economia estatizada quase nada produz. Com um déficit comercial desse tamanho, o BNDES que se cuide, dona Dilma.
Sete vezes, na entrevista, o governador usou o antiamericanismo como forma de tergiversar sobre os males que o regime impõe ao país onde passou as férias. Tarso, na entrevista, estava sendo interrogado sobre Cuba por um jornalista companheiro. E batia nos Estados Unidos, enquanto surfava sobre o fato de que se há um bloqueio em Cuba, ele é o bloqueio imposto pelo governo à população, esta sim, impedida, sob força policial e militar, do fundamental direito de ir e vir.
Por fim, sobre a questão da democracia, o governador saiu-se com esta preciosidade: "A questão democrática em Cuba não pode ser avaliada com os mesmos parâmetros que servem para o Brasil, para a Argentina e para o Uruguai, por exemplo." Não, não pode mesmo.
Se for avaliar a questão democrática em Cuba com conceitos abstratos e imprecisos (apesar de universais) como, digamos assim, eleições livres, pluralismo partidário, liberdade de expressão e de imprensa, aí a coisa fica complicada. A democracia cubana tem que ser avaliada sob conceitos de partido único, liberdades restritas, inexistência de oposição e estado policial. Viram como é uma encrenca?
______________
O autor é arquiteto, empresário, escritor, titular do site www.puggina.org, articulista de Zero Hora, jornais e sites
Os antigos egípcios, que se preocupavam muito com a vida após a morte, tinham por costume pesar o coração dos seus mortos. O coração era colocado num dos pratos da balança e, no outro, como contrapeso, era posto uma pena. O objetivo era saber o peso dos “pecados” que aquele indivíduo cometera em vida. Como eles aferiam isso, só os sacerdotes sabiam.
O que nos interessa nessa história é a noção de achar que o comportamento de um ser humano, as boas ou más ações que praticara em vida, pudesse ficar marcado, registrado e alterar o peso real de seu coração. Essa atitude é de uma singularidade que merece ser observada com muito respeito pelos nossos contemporâneos.
Hoje sabemos que tudo pode estar registrado nas tramas neuroniais do cérebro, a memória, depois que descobrimos que o coração não passa de um mero órgão de bombear sangue – muito embora dois terços da humanidade continuem acreditando que o coração é o responsável por nossas emoções. Os poetas, músicos e romancistas preferem continuar falando do coração, nunca do cérebro.
A noção egípcia de culpa, o peso do coração, no tribunal dos faraós, sua forma de julgar os homens após a morte – os antigos egípcios achavam que a vida continuava depois a morte, daí o tamanho de seus túmulos, as pirâmides - mexe com a nossa imaginação.
Permite especular quem seriam aqueles, cujas ações, poderiam alterar o peso de seu coração, para mais ou para menos. É curioso imaginar como seria o coração de um eterno apaixonado. De Vinícius de Moraes, por exemplo!
Podemos, assim, imaginar que ações poderiam deixar o coração mais pesado ou mais leve! Com certeza o coração de um perverso: um ladrão, um assassino, um traficante de drogas, um estuprador, uma mãe que abandonou o filho seriam muito pesados. E que o coração de alguém generoso honrado, benemérito, pacificador seria bastante leve.
Quantas toneladas pesariam o coração de Stálin, Hitler, Charles Manson e outros maníacos? E como seria o coração de Jesus, Buda, Teresa de Calcutá, Francisco de Assis? Flutuariam? Viria, pois, daí, a noção de alma?
Os egípcios, os construtores de pirâmides, foram na altura do terceiro milênio antes de Cristo, o povo mais evoluído da humanidade. A construção da grande pirâmide, sem a tecnologia que conhecemos hoje, desafia os estudiosos modernos. A perfeição e a complexidade de sua construção fez os homens acreditarem por quase cinco mil anos que ela fosse construída por divindades ou por extraterrestres. Uma grande bobagem.
Portanto, suas preocupações com um “tribunal” dos mortos são muito sábias e devem ser respeitadas.
Agora, como seria o coração de um homem público? Dos discípulos de Maquiavel? Bismarck. Elizabeth I, Napoleão ou de um mero prefeito? Como seria o coração de um homem público, um governador, um presidente? Quanto pesaria seu coração? Não seria interessante que o coração registrasse suas ações! Já que há versões contraditórias sobre suas realizações. Como seria o coração de um corrupto?
Trago essa história antiga, aparentemente tão estranha e bárbara, para mostrar minha indignação diante de tanta injustiça no mundo. Injustiça, quase toda ela, causada pelo pelos próprios homens. A pergunta é, quando haverá justiça no mundo? Seria maravilhoso que a tese dos egípcios fosse realidade. Seria bom que o coração aumentasse seu peso, e que o coração dos perversos pudesse explodir com seu peso, e que o das pessoas de bem flutuasse!
Como sempre, Shakespeare me consola. Dois homens contemplam um poderoso profundamente angustiado, e murmuram: “Ele está com o coração pesado... Não queria ter um coração desses dentro de meu peito, nem por todo ouro de qualquer rei da
cristandade”.
Eu também não!
Theófilo Silva é articulista colaborador da Rádio do Moreno.
Formar-se em Direito, passar nos exames da OAB em que menos de 10% são aprovados, disputar os concursos para a magistratura em que apenas 1% passa, é duríssima a carreira de um juiz, pelas responsabilidades da função pública que exerce. Mas nada justifica que tantos juízes do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro ganhem mais de 50 mil reais por mês, mais que o dobro do salário da presidente de República e do teto legal, e alguns recebam até quatro vezes mais. Sim, os benefícios não são ilegais — ninguém conhece as leis melhor do que os juízes —, e vigoram por decisões judiciais e administrativas dos próprios beneficiários.
Todos os juízes sabem que nem tudo que não é proibido pela lei é permitido pela ética, e a grande maioria, principalmente das novas gerações, não aceita mais a cultura de privilégios das velhas elites judiciárias encasteladas no poder. Sim, a carreira é muito difícil para todos, e alguns, às vezes entre os mais brilhantes, acabam se desviando pelo caminho, corrompidos pela vaidade, a ambição e a onipotência, como Darth Vaders de toga que passam para o lado escuro da Força. Raros são denunciados ou punidos e continuam reagindo indignados contra qualquer investigação, denunciando as críticas na imprensa como conspiração para desmoralizar toda a corporação, quando querem apenas impedir que se faça ... justiça.
É verdade que não há justiça na natureza, muito pelo contrário, nem no cosmos, nem nas religiões (pelo menos na vida terrena ), nem nos deuses que permitem injustos e cruéis sofrimentos, a morte de inocentes e a salvação de assassinos. A ideia de justiça é uma invenção humana, baseada na ética e na moral, como parte fundamental do processo civilizatório, mas existe apenas como tentativa de fazer justiça, nem sempre realizada, pelas precariedades da condição humana.
O que não é justo é a imensa maioria de juízes honestos, que cumprem todos os deveres que sua nobre função exige, ser usada como escudo por elites corporativas que não querem justiça, mas privilégios abusivos pagos pelo trabalho e os impostos de todos nós, inclusive os juízes honestos.
Costa oferece 11 mil euros a passageiros do Concordia
Foto: AFP
Estadão.com.br
A Costa Crociere, proprietária do navio Costa Concordia, ofereceu nesta sexta-feira aos passageiros que não se feriram no naufrágio da embarcação ? 11 mil (US$ 14.460, ou cerca de R$ 25 mil) como compensação pela perda de bagagem e pelos traumas psicológicos decorridos por causa do acidente na costa da Toscana.
Mas alguns passageiros que sofreram o acidente já disseram que não aceitam o acordo, ao afirmar que não podem ainda avaliar os custos do trauma que passaram. Outros afirmam que a questão não é apenas financeira, mas que a empresa precisa prestar contas e pedir desculpas pela tragédia.
A Costa, uma unidade da maior operadora de cruzeiros do mundo, a Carnival Corp., sediada em Miami (EUA), afirmou também que vai reembolsar os passageiros pelo custo total do cruzeiro, gastos de viagem e qualquer despesa médica ocorrida após a saída do navio.
As constantes chuvas que têm caído nos últimos dias na Capital do Estado têm causado transtornos e deixado a marca da destruição em várias partes da cidade, mas o prejuízo maior foi a morte de um jovem motociclista de 21 anos que foi engolido por uma boca de lobo durante temporal de quinta-feira.
Hoje de manhã, os bombeiros encontraram o corpo de Milton Teixeira Júnior, que caiu dentro do bueiro na avenida Gury Marques, saída para São Paulo, no bairro Colibri II, região sul de Campo Grande.
O corpo foi localizado a 2 km do local do desaparecimento, conforme os bombeiros, preso em galhos de árvores no córrego Bálsamo. As buscas foram iniciadas na tarde de quinta-feira (26), mas interrompidas durante a noite.
De acordo com testemunhas, chovia muito forte quando motociclista foi levado pela enxurrada para dentro do bueiro, que desemboca no córrego Bálsamo, às margens da avenida. A moto foi encontrada no buraco depois que o nível da água baixou.
O meteorologista Natálio Abrão, da estação meteorológica da Uniderp/Anhanguera, assegurou que o temporal de quinta-feira durou cerca de uma hora, causando total destruição em várias localidades de Campo Grande.
Segundo ele, foram contabilizados 91,4 milímetros de precipitação na cidade. Com esse índice, o volume de chuva acumulado no mês de janeiro chegou a 301,2 milímetros, quando o esperado era 210 milímetros.
Alguns funcionários que trabalham em empresas próximas ao local presenciaram o fato, porém, nada puderam fazer para impedir que o rapaz fosse levado pela forte correnteza.
“Achei que ele poderia segurar na minha perna”, contou Rafael Couto, de 26 anos, que é funcionário de uma empresa de som automotivo, ao tentar ajudar o rapaz. Ele disse que contou com a ajuda de dois colegas que fizeram uma espécie de corrente.
Lamentações
Restou ao prefeito Nelsinho Trad (PMDB) lamentar a morte do jovem e o prejuízo causado. “Não adianta chorar o leite derramado, agora é trabalhar forte para recuperar a cidade”, disse, em entrevista ao programa MS Primeira edição, da TV Morena.
Nelsinho explicou que a região que mais sofreu com a enxurrada foi a bacia do córrego Sóter.
A chuva intensa em um curto período de tempo, somada ao rompimento da quarta barragem do córrego Sóter e ao transbordamento do lago do Parque das Nações Indígenas, foram os fatores que agravaram a situação na região, segundo o prefeito.
“Em cerca de 50 minutos, tivemos 91 milímetros de chuva. A barragem do córrego Sóter, que ainda não tinha sido concluída, não suportou o volume de água e rompeu”, disse.
O planejamento de limpeza das ruas, garantiu, será prioritário na região norte da cidade, no entorno do córrego Anhanduí e nas áreas que estão sendo apontadas pela Defesa Civil. (Willans Araújo)
O CBMS (Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul) divulgou hoje (27) o balanço das ocorrências atendidas ontem (26) por causa da forte chuva que caiu na Capital. A Corporação atendeu 103 ocorrências relacionados a chuva. Sendo que 26 foram alagamentos e seis carros arrastados pela correntesa. Os bairros com maior número de ocorrências foram: Guandandi, Inhanhá, Taquaral Bosque, Coronel Antonino, Monte Castelo, São Franscisco e as Avenidas Afonso Pena, Ernesto Geisel e Mascarenhas de Morais.
O Corpo de Bombeiros dá algumas dicas de como evitar acidentes em temporais: "Não estacionar em baixo de árvores, nem próximo à postes de energia, de preferência escolher um local seguro para estacionar e nos casos de pedestres e crianças procurar andar do lado contrário dos postes de alta tensão", orienta o chefe de comunicação do Corpo de Bombeiros Tenente-coronel Joilson de Paula.
A Defesa Civil do Estado alerta para a probabilidade de mais chuva forte hoje (27). As chuvas devem vir acompanhadas de trovoadas, rajadas de vento e queda de granizo.
A Defesa Civil recomenda a população a evitar áreas de alagamentos e para o risco de deslizamentos de encostas, morros e barreiras. Além disso, evitar trafegar em ruas sujeitas a alagamentos localizados e também lugares que ofereçam pouca ou nenhuma proteção contra ventos fortes e queda de granizo.